

Roger Remaut: Belgian Abstract Artist from Ostend — Mu.ZEE & Belgian State Collections
Nascido nas Ruinas — Roger Remaut, Belgian Abstract Artist from Ostend
Em 1942, Roger Remaut nasceu em Ostende ocupada pelos nazis. Enquanto a Europa ardia, uma criança brincava entre as ruínas bombardeadas da sua cidade. Esses fragmentos tornaram-se a sua primeira tela - paredes irregulares, estruturas colapsadas e superfícies marcadas pela violência e pelo tempo.
Esta infância entre a devastação moldaria para sempre a sua visão artística. As paredes danificadas da Bélgica do pós-guerra tornaram-se a origem da sua linguagem abstrata - uma poesia visual extraida da destruição concreta.




Ostende ocupada pelos nazis, 1942-1945




Academia de Westhoek, 1958
A Formação de um Artista — Training at the Ostend and Westhoek Academies of Fine Arts
Nos anos 70, Remaut estudou nas academias de Westhoek e Ostende com mestres como Gustaav Sorel, Maurice Boel e Willy Bosschem. Passou quatro anos a absorver técnicas clássicas e permaneceu mais quatro como aluno informal, aprofundando a sua abordagem filosófica da arte.
A academia deu-lhe estrutura; mas foram as ruínas da infância que lhe deram visão. Aqui, a formacao formal encontrou a experiencia vivida - técnica a responder aos imperativos de uma geração moldada pela guerra.
“Na sombra da bomba atomica — a ARTE deve encontrar uma nova linguagem para falar.”
A Tela Urbana Materieschilderkunst belga (Arte Material)
A prática artística de Remaut enraiza-se na fisicalidade e na materialidade. As suas pinturas abstratas, intensas, são construídas com objetos encontrados, graffiti, texto riscado e texturas espessas - superfícies brutas, gastas, emocionais e politicamente carregadas. As telas são erguidas como paredes urbanas: fissuradas, danificadas e cheias de significado oculto.
O seu processo é instintivo e físico. As obras evoluem lentamente por camadas de matéria e tinta, respondendo aos impulsos imediatos do artista. Não há narrativas fixas - apenas fragmentos, atmosferas e momentos que convidam o observador a olhar de novo. Cada peça traz marcas de tempo, de luta e de prática meditativa.
Esta abordagem não é acaso, mas filosofia. Como o próprio Remaut afirma:
“Não pinto para agradar a um público — eu sou o público, e deleito-me na minha própria performance.”
Esta declaração revela o núcleo da sua prática: a autenticidade artística exige independência radical. Ele não pinta para validação externa, mas pela integridade do próprio ato criativo - uma posição nascida de décadas de arte em resposta a violência, perda e necessidade humana de beleza.

Ombre et Lumiere — Roger Remaut, ladeado por esculturas de Bernard Pieters e Patrick Steen

R53 2T — Roger Remaut
Into Abstraction— Prémios de pintura belgas e Galerie De Peperbusse, Ostende (1982 - 1985)
A primeira exposição de Remaut, em 1982, realizou-se com o seu irmão Pierre na Galerie De Peperbusse, em Ostende. Enquanto Pierre representava a figura humana, Roger voltou-se para a exploração da matéria e da forma abstrata.
A sua paleta inicial era contida: tons de cinza e preto. Sem cor para distrair, sem ornamento para seduzir. Apenas forma, espaco, textura e o silêncio profundo entre eles.
O reconhecimento chegou rapidamente. Entre 1982 e 1985, foi selecionado para varios premios nacionais de pintura: o Prijs Schilderkunst em Harelbeke (1982) e Aarschot (1985), o Hoppeprijs em Poperinge (1983) e o Gaverprijs em Waregem (1984).



2X REMAUT, primeira exposição, 1982

Roger Remaut no seu atelier em Ostende • anos 1980
Influencias: Uma Linguagem Forjada no Dialogo— O contexto da arte abstrata belga
Mark Rothko
De Mark Rothko, Remaut partilha a ideia de pintura como campo emocional. Os campos de cor de Rothko não eram apenas composições, mas espaços imersivos de contemplação. Do mesmo modo, as superfícies de Remaut — mais rugosas e de caráter material — convidam a um envolvimento lento e meditativo. Onde Rothko dissolve a forma em atmosfera, Remaut ancora a emoção na matéria.
Antoni Tàpies
A influência de Antoni Tàpies é mais tátil e imediata. Como Tàpies, Remaut trata a tela como objeto e não como janela. Texturas espessas, materiais encontrados e superfícies marcadas transformam a pintura em algo físico e quase arqueológico. Ambos elevam o gasto, o danificado e o negligenciado a lugares de significado.
Jean-Michel Basquiat
Na energia bruta de Jean-Michel Basquiat, encontra-se um paralelo com o uso de texto, símbolos e gesto instintivo em Remaut. Embora a obra de Basquiat esteja enraizada na cultura urbana e identidade, o impulso comum esta na imediaticidade - a recusa de higienizar a expressão. As superfícies de Remaut, como as de Basquiat, parecem vividas, marcadas por tempo, gesto e urgência.
Marcel Duchamp
A base filosófica da prática de Remaut encontra afinidade com Marcel Duchamp. Duchamp desafiou a própria definição de arte, deslocando a ênfase da beleza estética para a intenção intelectual. Remaut prolonga esse legado - não abandonando a pintura, mas redefinindo a sua finalidade. A sua obra não é criada para agradar, mas para existir como ato de pensamento, resistência e sentido autodeterminado.
O Circuito Flamengo de Galerias — Roger Remaut exhibiting across Ostend, Gent, Mechelen and Kortrijk
Ao longo dos anos 1980, Remaut manteve um programa ativo de exposições individuais por toda a Bélgica - Ostende, Gent, Mechelen e Kortrijk. Expos em galerias flamengas influentes como a Galerie De Peperbusse, Galerie Dialoog e Galerie Tres, espaços conhecidos pela sua ligação a práticas contemporâneas progressistas.
Cada exposição construiu-se sobre a anterior, afirmando Remaut como uma voz consistente e em evolução dentro do movimento abstrato belga. Diretores de galerias e colecionadores reconheceram isso - a sua paleta contida e as superfícies texturadas iam além da abstração decorativa.




Galeria Den Artiest, Ostende, 1983
Reconhecimento Institucional— Roger Remaut no Mu.ZEE Ostende e nas coleções do Estado Belga
Em 1986, a obra de Remaut já integrava importantes coleções públicas e privadas em toda a Europa. Nesse ano, durante o evento de pintura ao vivo Tubernetica, o seu trabalho foi adquirido pelo governo belga e colocado no gabinete do Ministro do Interior — um selo oficial de reconhecimento.

Jewish Pride — Office of the Minister for Internal Affairs, Belgian Government Collection
Em 1990, o Museu de Belas-Artes de Ostende (Mu.ZEE) adquiriu três obras de Remaut para a sua coleção permanente, marcando um momento decisivo na sua carreira. O reconhecimento seguinte inclui aquisição pelo governo provincial da Flandres (1996) e exibição no gabinete de Inge Vervotte, Ministra da Saúde da Região Flamenga (2004).

Untitled — Mu.ZEE (Museum of Fine Arts, Ostend)

Ask my Daughter — Mu.ZEE (Museum of Fine Arts, Ostend)
Em 1994, Remaut realizou uma grande exposição individual no Museu de Belas-Artes de Ostende e, um ano depois, em 1995, expôs ao lado dos mestres belgas James Ensor, Constant Permeke e Leon Spilliaert, na prestigiosa exposição "Artists from the Coast" na Group 2 Gallery, em Bruxelas.

Leon Spilliaert

Constant Permeke

James Ensor
A sua obra recebeu atenção crítica sustentada ao longo deste período. Exposições foram destacadas na BRT2 e na TV Focus, reforçando a sua visibilidade pública na Bélgica. Seguiu-se interesse académico com inclusão em publicações de referência de Norbert Hostyn, antigo curador do Museu de Belas-Artes de Ostende. A cobertura internacional surgiu na Art Bulletin Magazine (Irlanda, 1994) e na Gallery 24 (Berlim, 2005).

Acrylage Noir — Exhibited in his solo exhibition at Mu.ZEE, Museum of Fine Arts, Ostend.




Cidade de Billericay
Novos Horizontes — International Exhibitions in London, Amsterdam and Norwich
Em 1997, Remaut mudou-se para Billericay, em Inglaterra, durante três anos, iniciando um período de maior projeção internacional. O seu trabalho surgiu em galerias e espaços culturais de Londres, Ipswich, Norwich e Luton, incluindo apresentações na Beecroft Art Gallery e na Chambers Gallery.
Entre 1998 e 1999, seguiram-se exposições em Amesterdão, Quimper e varios espaços ingleses. A participação em eventos interdisciplinares como o Norwich Film & Multimedia Festival e o BP Arts Festival refletiu flexibilidade de meios e contextos. Durante este período, as exposições na Bélgica, Alemanha e França continuaram sem interrupção.
Regresso a Bélgica — Roger Remaut settles in the Westhoek, West Flanders
Em 2000, Roger regressou a Bélgica, fixando-se na aldeia de Pollinkhove, em Westhoek. A partir de um novo atelier, a sua prática aprofundou-se e evoluiu. Seguiram-se exposições marcantes: o Watou Arts Festival (2000), apresentações no Centro Cultural De Branding em Middelkerke (2007) e a International Assemblage Exhibition em Berlim (2005).
Ao longo de duas décadas, exposições individuais em Gistel, Ostende, Bredene e Kortrijk, em espaços como a Square 42 Gallery e a Galerie de Feniks, consolidaram o seu estatuto como um dos mais relevantes artistas abstratos da Bélgica. A sua carreira passou a abranger 36 exposições individuais e 42 coletivas na Europa.



Pollinkhove
Fazer Arte, Não Guerra!— O manifesto artístico do artista abstrato belga Roger Remaut
Nascido sob a sombra da tirania, Roger Remaut recebeu o nome de um tio - combatente da resistência capturado e executado pelos nazis - e até a sua identidade foi condicionada pela ocupação. Forçado a adotar a grafia alemã "Rogier", entrou no mundo com um nome marcado por decreto. Por isso, toda a sua prática artística foi um ato de desafio; a sua linguagem abstrata não é escapismo, mas uma resposta filosófica profunda a essa subjugação inicial.
Em 1969, John Lennon e Yoko Ono desafiaram o mundo com o slogan: "Make Love Not War." Foi uma declaração de pacifismo radical numa época de guerra no Vietname e de violência global. Décadas depois, Remaut chegaria ao seu próprio manifesto artístico: "Make Art Not War."
Para Remaut, esta não era uma nova filosofia - sempre foi a sua prática. Cada pincelada, cada abstração, cada meditação sobre forma e espaço era uma resposta à destruição. Onde a violência fragmenta e destrói, a arte reconstrói e cura. Onde a guerra silencia, a criatividade fala.
Com a infância arruinada pelo fascismo e o nome germanizado contra a vontade da família, Remaut passou oito décadas a provar que as mãos humanas criam beleza muito mais poderosa do que armas. As suas obras abstratas - nascidas de paredes danificadas e das cicatrizes da Europa do pós-guerra - testemunham a sobrevivência do espírito humano.
Em 2023, aos 83 anos, declarou formalmente esta filosofia com a exposição "Make Art Not War" na Xochi Art Gallery em Portugal. Não foi um novo título. Foi o culminar de uma vida de trabalho - uma resposta desafiadora e inabalável a toda a violência que testemunhou.
“Onde ha guerra, faco arte. Onde ha silêncio, crio ruido. Crio perante a destruição.”
A Continuar a Pratica aos 83 — Roger Remaut at Xochi Art Gallery, Portugal
Em 2023, aos 81 anos, Remaut mudou-se para Portugal e apresentou-se artisticamente com a forte exposição-manifesto "Make Art Not War" na Xochi Art Gallery. A exposição reafirmou as dimensões sociais e éticas da sua obra, demonstrando a relevância contínua da sua prática material no discurso contemporâneo.
Continua a pintar com visão e energia intactas, atualmente representado pela Xochi Art Gallery, onde o seu trabalho é apresentado a um público internacional de colecionadores e instituições.
Quatro exposições compõem hoje a sua série atual: "Into Abstraction", "New Horizons", "Form of Figuration" e "Transcendence". Cada uma representa uma meditação sobre a sua prática artística - a acumulação de uma vida de investigação sobre forma, espaço, textura, materialidade e o silêncio profundo no centro da abstração.

Roger, 83 anos, na sua exposição — Into Abstraction | Xochi Art Gallery, Portugal, 2025
Primeiras Obras: 1982-1997 — Roger Remaut, artista abstrato belga
Periodo abstrato inicial de Remaut, marcado por paletas contidas de cinza e preto, explorando textura e forma.

Untitled I
1987

Evenwicht
1982

Emblematisch
1995

Untitled
1992

Arcylage Noir
1994

Monologue Intérieur
1997
Meio de Carreira: 1998-2022 — Roger Remaut, artista abstrato belga
Materia, gesto, cor e relevo convergem numa linguagem abstrata plenamente realizada.

Untitled Forever #2
2001

Untitled
2004

Ombre et Lumiere

Neighbourhood
2005

Zeitgeist
2007

Tribute aan Magritte
Obras Recentes: 2023-2026 — Roger Remaut, artista abstrato belga
A sua prática atual concentra-se em obras íntimas, onde décadas de mestria se condensam em superfícies poderosas.

Untitled
2023

Make Art Not War
2023

Inconcreto
2026

More than Nothing
2025

Make Art Not War
2025

Untitled is also a Title
2026
Legado e Coleções : Mu.ZEE Ostend and Belgian State and Flemish Government Collections
Histórico de Exposições
Mais de 36 exposições individuais e 42 coletivas na Bélgica, Inglaterra, Alemanha, França, Países Baixos e Portugal, ao longo de mais de quatro décadas.
Coleções Permanentes
As aquisições permanentes incluem o Mu.ZEE (Museu de Belas-Artes de Ostende), a Coleção do Governo Belga, o Governo Provincial Flamengo e a Tuinbouwschool Puurs.
Reconhecimento Governamental
A obra de Remaut foi exibida em espaços oficiais do governo, incluindo o Gabinete do Ministro dos Assuntos Internos (1986) e o Gabinete de Inge Vervotte, Ministra Flamengo da Saude (2004).
Heranca de Ostende
A sua longa ligação a Ostende - terra de James Ensor, Leon Spilliaert e Constant Permeke - situa o seu trabalho numa linhagem definidora de artistas belgas da costa.
Curriculo Vitae — Roger Remaut, Belgian Abstract Artist | Exhibitions, Collections & Prizes
Roger Remaut
Complete exhibition history and curriculum vitae of Roger Remaut (born Ostend, Belgium, 1942), one of Belgium's foremost abstract painters and pioneer of Materieschilderkunst (Material Art). Includes solo exhibitions, group exhibitions, Belgian painting prizes, permanent museum collections including Mu.ZEE Ostend, the Belgian State Collection, and the Flemish Government Collection, as well as television broadcasts and critical publications.
