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Entre a Força e a Fragilidade: As Obras de Vidro Armamentistas de Francisco Figueiredo Lopes
Autor
Luc Levez
Artista em Destaque
Francisco Figueiredo Lopes
Publicado
05/2025
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Entre a Força e a Fragilidade: As Obras de Vidro Armamentistas de Francisco Figueiredo Lopes
Francisco Figueiredo Lopes (Lisboa, 1998) é um escultor cuja prática se desenrola na intersecção volátil entre a criação e a destruição. Sediado em Lisboa, o trabalho de Lopes atravessa os ciclos de extração, transformação e consumo, utilizando a escultura não apenas como uma busca material, mas também como um quadro crítico para interagir com os sistemas que governam o nosso mundo.
Numa série recente e marcante, Lopes aprisiona instrumentos de violência — revólveres, bastões policiais, machados — entre folhas de vidro fundido. O resultado é um corpo de trabalho que contrasta o poder brutal do armamento com a natureza delicada e imprevisível do vidro. Estas não são simplesmente esculturas; são confrontos. A permanência sólida de uma arma é suspensa — literal e simbolicamente — dentro de um meio mais associado à fragilidade, transparência e rutura.


Cada peça é moldada por um processo simultaneamente controlado e caótico. O ato industrial de incorporar metal em vidro fundido introduz elementos de imprevisibilidade: formam-se bolhas, as superfícies racham e as arestas deformam-se sob o calor. O que emerge é um momento congelado de tensão, onde as ferramentas de controlo são tornadas impotentes — desarmadas pelo próprio meio que agora as aprisiona. Nesse sentido, as obras são mais do que composições estéticas; são atos de desarmamento simbólico.
Esta tensão entre controlo e colapso percorre toda a prática mais vasta de Lopes. A sua série Power Tool critica o fascínio sedutor da violência nos media e no design, expondo a beleza absurda que atribuímos às ferramentas de destruição. Em Attached, ele mapeia os laços íntimos entre extração e produção, revelando como os sistemas dos quais dependemos para sobreviver estão frequentemente enraizados na dominação e no esgotamento.


Ao incorporar armas em vidro, Lopes não neutraliza a sua carga simbólica — ele amplifica-a. O espectador é forçado a confrontar a contradição: instrumentos de poder tornados imóveis, presos num momento alquímico onde o material e o significado se dissolvem um no outro. Estes objetos já não são funcionais; são relíquias de um sistema interrogado e interrompido.
O trabalho de Lopes tem aparecido em várias exposições coletivas, envolvendo sempre a escultura como um método de investigação. As suas instalações vão além da forma, sondando a forma como nos relacionamos com objetos moldados pela história, ideologia e indústria. O que seguramos, o que empunhamos e o que descartamos — tudo se torna ferramenta para pensar sobre o poder e a vulnerabilidade.
Nestes trabalhos mais recentes, a mensagem é simples, mas ressonante: até os instrumentos de poder mais fortes podem estilhaçar-se. E no seu silêncio, talvez, resida o início de algo novo.

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