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O Aperto Inabalável: Make it Burn then Hold de Francisco Figueiredo Lopes
Artists

O Aperto Inabalável: Make it Burn then Hold de Francisco Figueiredo Lopes

Autor

Luc Levez

Artista em Destaque

Francisco Figueiredo Lopes

Publicado

09/2025

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Contra o pano de fundo dos céus azuis brilhantes de Lisboa e o brilho distante do Atlântico, Make it burn then hold de Francisco Figueiredo Lopes parece quase viva — a esforçar-se, a agarrar, a resistir. É uma escultura que fala em extremos: de criação e destruição, de acumulação e exaustão, das forças brutas — tanto humanas como materiais — que moldam o nosso mundo. Aqui, o aço torna-se uma linguagem, a tensão uma narrativa, e uma forma monumental transforma-se numa meditação sobre a própria existência.

O Aperto Inabalável

O escultor lisboeta Francisco Figueiredo Lopes confronta os ciclos incessantes de criação, exaustão e tensão industrial na sua obra monumental de 2025, Make it Burn then Hold. Uma garra metálica mantida em tensão perpétua, a escultura personifica os paradoxos da existência contemporânea, convidando os espectadores a confrontar as forças — tanto materiais como sociais — que moldam o nosso mundo.

Make it Burn then Hold em Cascais, Lisboa
Make it Burn then Hold em Cascais, Lisboa

O Artista e a Sua Visão

Nascido em Lisboa em 1998, Lopes estabeleceu-se rapidamente como uma voz significativa na escultura contemporânea. A sua prática explora o equilíbrio delicado entre criação e destruição, estrutura e colapso, utilizando processos industriais em conjunto com intervenções manuais meticulosas. Cada obra convida os espectadores a um diálogo sobre as forças materiais e conceptuais que regem a existência. Em Make it Burn then Hold, Lopes canaliza esta tensão para uma forma monumental: um corpo onde a contenção e a agressão coexistem, uma meditação metálica sobre a fricção subjacente à própria vida.

Make it Burn then Hold contra a paisagem urbana de Lisboa
Make it Burn then Hold contra a paisagem urbana de Lisboa

Materialidade em Movimento

Construída a partir de varões de aço carbono de 8 mm, molas de aço e correntes, e acabada com verniz PU K2 e esmalte cromado, a escultura personifica tanto a força como a vulnerabilidade. A soldadura com elétrodos 6013 funde elementos díspares num todo unificado, mas sob tensão. As suas dimensões monumentais (250 × 308 × 296 cm) amplificam as complexidades da sua construção, enquanto os elementos em forma de garra evocam um aperto predatório. As duas molas (70 x 24 x 30 cm), (50 x 36 x 23 cm) servem como símbolos visuais e funcionais de energia potencial, tornando tangíveis a tensão e o esforço no coração da visão de Lopes. Os acabamentos industriais reforçam a presença da escultura sem suavizar a sua elegância bruta e brutalista.

Make it Burn then Hold em grande plano
Make it Burn then Hold em grande plano

Ciclos de Extração e Comentário Social

Para além da sua fisicalidade, Make it Burn then Hold envolve-se com sistemas mais amplos de extração, trabalho e produção. O aço — extraído, forjado e transformado — personifica a interdependência da extração de recursos e da criação industrial. A sua postura agressiva reflete a natureza exaustiva destes ciclos, provocando uma reflexão sobre os custos ambientais e humanos incorporados nos objetos contemporâneos. A obra de Lopes transforma material industrial numa metáfora para a tensão social, tornando a escultura numa experiência tanto física como conceptual.

Make it Burn then Hold silhuetada contra o céu de Lisboa
Make it Burn then Hold silhuetada contra o céu de Lisboa

Confrontar a Violência

Ao abstrair componentes industriais para uma forma semelhante a uma garra, Lopes desafia a sua função pretendida, transformando materiais utilitários em símbolos de forças existenciais e sociais. A escultura confronta a estetização da violência: o seu aço escuro, formas angulares e tensão inabalável exigem contemplação. Com a sua escala e materiais robustos, a obra irradia uma energia precária, obrigando os espectadores a lidar com as forças brutas da violência e do conflito que se intensificam, permeiam e moldam as nossas vidas.

Make it Burn then Hold em grande plano
Make it Burn then Hold em grande plano

O Paradoxo da Criação

No seu núcleo, Make it burn then hold personifica o axioma de Lopes: “Nada é construído sem que algo seja desfeito.” A rede de varões e correntes forma uma estrutura coesa e fundamentada, enquanto as molas integradas separadamente evocam tensão e interdependência, sugerindo um equilíbrio delicado entre construção e desconstrução. O crescimento e o progresso coexistem com o potencial colapso; a contenção e a agressão são inseparáveis. Em aço, Lopes dá forma física aos paradoxos da existência, capturando o equilíbrio frágil entre acumulação e exaustão.

Make it Burn then Hold, Cascais, Lisboa
Make it Burn then Hold, Cascais, Lisboa

Um Marco na Escultura Contemporânea

Make it Burn then Hold é simultaneamente objeto e investigação, navegando no espaço entre a crítica industrial e a meditação existencial. Para colecionadores e instituições, representa uma aquisição significativa: visualmente cativante, tecnicamente magistral e filosoficamente ressonante. Em aço, Lopes forjou uma obra que confronta o paradoxo, a tensão e os ciclos do nosso mundo — garantindo envolvimento e reflexão para as gerações vindouras.

Explore a Coleção Francisco Figueiredo Lopes

Make it Burn then Hold, Cascais, Lisboa
Make it Burn then Hold, Cascais, Lisboa


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